Por que tanto furacão agora?

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Irma, Maria, Ophelia, Harvey e Sandy.

O que estes nomes têm em comum?

Todos eles são furacões, ou grandes tempestades que se tornaram furacões, apenas nos últimos meses. Ouvimos cada vez mais sobre esses fenômenos climáticos, mas por que eles estão tornando-se mais frequentes?

Há uma série de condições naturais para que o furacão seja formado: a água do mar tem de estar em torno de 27 graus, os ventos devem soprar na mesma direção, intensidade e a uma certa altitude. Além disso, a atmosfera propícia para essas formações é a úmida, como ocorre na América Central e Sul dos Estados Unidos.

Não é possível fazer uma ligação direta dos furacões ao aquecimento global, porém é inevitável a correlação e o debate do assunto. A cada ano que se passa, novos recordes de temperatura são batidos e, de acordo com estudos do Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas, em Boulder, nos Estados Unidos, está havendo um aumento de 30% de furacões níveis 4 e 5 para cada grau célsius a mais de temperatura média na Terra.

Testes feitos pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) mostram que, até o fim do século, o aquecimento global deve aumentar de 10 a 20 vezes as chances dos furacões ganharem força em relação ao século XX.

Mas, o que isso significa para nós aqui no Brasil?

Apesar de não ser comum, já houve um evento natural deste no país, foi o Furacão Catarina que ocorreu no final de março de 2004, devido às condições excepcionalmente favoráveis e incomuns. As regiões atingidas foram o nordeste do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina. Os ventos chegaram a 176km/h, deixando 3 mortos, 75 feridos e 2 mil desabrigados, além de um prejuízo de quase meio bilhão de dólares.

O Brasil está longe de passar por grandes catástrofes provocadas por furacões, como as recentes no Texas e Caribe, mas é possível que em um futuro próximo, haja aqui alguns de nível 1. Apesar do nordeste ser conhecido por ter águas quentes, os ventos da região não colaborariam para este tipo de evento, as regiões mais suscetíveis seriam do litoral do Rio Grande do Sul ao sul da Bahia.

Percebe-se, então que, além de vários problemas já provocados pelo aquecimento global, o furacão pode ser mais um deles, se tornando mais perigoso onde já aparece e chegando em locais que teoricamente não chegaria.

Pedro Passos De Marco
Engenheiro Ambiental

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